sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Meu pai e eu.





Meu pai e eu!




Meu pai que se chama Antônio Luiz completou oitenta anos e nesta oportunidade, gostaria de agradecer pelo cuidado e presença constante e principalmente por fazer de mim, esta mulher do bem, que sou.

Ele teve uma infância muito difícil, sofreu com racismo, pobreza, não soube quem era o seu pai, ficou parte de sua infância em um orfanato e quando pensou que seria feliz em uma família adotiva, vivenciou momentos de abandono e maus tratos, mas soube proporcionar uma infância feliz e plena aos seus cinco pimpolhos. Lembro-me dos nossos passeios nos finais de semana, nas muitas andanças por ruas e praças do bairro Padre Eustáquio em Belo Horizonte, terminando sempre na estação do trem e em passeios de locomotiva. Outras vezes levava-nos à Base Aérea para vermos os aviões por fora e por dentro, os caminhões que ele dirigia, o seu local de trabalho, as árvores que havia plantado pelo quartel e ficávamos horas vendo as aeronaves decolando e aterrissando. Era uma festa!

Minha mãe ficava tranquila no sossego do lar e quando chegávamos com uma fome de leão, já estava pronta aquela comida gostosa que dona Dilma fazia no capricho. Como não lembrar-me da maionese toda enfeitada que o senhor fazia questão de preparar no domingo? Era comer com os olhos esperando a Luíza colocar primeiro a metade no prato dela - irmã mais velha, na nossa infância, era quase uma super Nany de vestidinho, e só depois de comer com os olhos, (ela demorava uma eternidade neste ritual) era a hora de comer rezando.

Quando fazíamos nossas travessuras (e não eram poucas) "deixa o seu pai chegar", sentenciava a Dona Dilma e achávamos a maior graça, parecia até que o fim de tarde, a bendita dezessete e trinta nunca chegaria, mas chegava e lá pelas dezessete, nosso coração parecia pulsar nas mãos, nosso medo aflorava e a Dona Dilma só observando nossa metamorfose de peraltas, a anjinhos do pau oco. Meu pai de farda azul da Aeronáutica, parecia o castigo em pessoa marchando em nossa direção. E antes que fosse dado o tal recado pela minha mãe, já estávamos todos em fila angelical, a bênção meu pai - a mão paterna estendida e o beijo de um a um estalando sobre ela, deveria ser o suficiente para colocar de volta o nosso coração no peito e afastar de vez, a maldição da sentença materna: "deixa o seu pai chegar".

Devem estar imaginando a esta altura, um pai violento, do tipo que bate, não assopra e ainda promete bater mais batendo? Nada disto. Meu pai chegava tranquilo, tomava seu banho, jantava com os filhos à mesa e tratava de ir para a cozinha e enquanto minha mãe lavava as louças e como não poderia deixar de ser, relatava tudinho, tim tim por tim tim. Nosso coração, novamente nas mãos, petrificava! Ouvíamos o nosso nome, geralmente eu era a primeira, como assim? E a irmã mais velha? Só servia para comer a maionese primeiro? Mas verdade seja dita, ninguém fazia mais bagunça do que eu, e olha, tenho histórias de arrepiar para contar, mas fica para outra oportunidade, prometo. Então eu puxando a fila, meu pai o gigante Golias em pessoa na minha frente e a correia ou vara de marmelo na mão???? Não!!!! Apenas o dedo indicador erguido. Céus que medo!!!
- “Vem aqui, chega mais perto”.
Parecia que eu ia sucumbir em um desmaio fatal.
- “Mais perto, mais perto”.
O dedo indicador pesando mais de uma tonelada batia solenemente umas três vezes na minha testa:
- "cuidado, viu? Muito cuidado"!

TERMINOU!!! Saía eu da fila chorando muito, meu irmão vinha em seguida e assim, um a um éramos disciplinados e nossa mãe de olho acompanhando tudo. Outra sessão como esta demoraria anos. Bastava lembrar do dedo indicador pesando na testa, e todas as coisas ficavam nos seus devidos lugares: filhos respeitosos, pais amorosos e uma família unida. Nunca tivemos um desentendimento qualquer, nenhum vício, nada que pudesse contrariar os bons princípios que nos foram ensinados.

É por isto, por um pai que foi e é um exemplo em todas as suas atitudes e princípios, que eu venho prestar esta singela homenagem.

Parabéns Seu Antônio! Feliz dia dos Pais e que esta data e outras tantas te encontrem em saúde, paz e repleto das bênçãos divinas.

VOCÊ É MEU EXEMPLO! Te amo!

5 comentários:

  1. Belíssima homenagem!
    Eu já não tenho o meu mas meu pai foi fantástico!!!bj

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  2. Muitos parabéns ,que Deus lhe continue iluminando a sua vida ,muitos beijinhos felicidades

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  3. Parabéns Cida... Que privilegio esse paizão!!!!

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  4. Uma homenagem cheia da ternura que o seu pai merece. Parabéns pelos 80 anos que fez. Que tenha muita saúde.
    Gostei do texto.
    Boa semana.
    Um beijo.

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