Por Vitalina de Assis.
É incrível como a felicidade acomodou-se em meu ser como se
dele tivesse sido parte a vida inteira e talvez tenha sido, e só agora
compreendo sua verdadeira essência. Aquela máxima de que a felicidade não
existe, existindo apenas momentos felizes ficou ancorada em uma imaturidade que
cresceu e aprendeu a recusar inverdades. Não é o que se passa na
epiderme, que visualiza nosso olhar, que sente a fragrância nosso olfato e
muito menos a sutileza do toque, os precursores da felicidade. Ela é de uma
delicadeza e robustez autônoma e está no mais profundo do ser, não precisa ser
gerada, pois existe desde sempre.
Já fui mãe por duas vezes e é
incomparável a sensação e a alegria de se carregar uma vida e ser consciente do
seu crescimento, sentir-se cocriadora, consumar-se mãe, entretanto gerar um
filho tem o seu tempo e sua hora e decorrido este período fértil, resta-nos
apenas lembranças e a dor, agonias do parto, se esquece. Findo o tempo natural
jamais outra vida iremos gerar. Com a felicidade é um estar grávida
eternamente, é carregar no mais profundo do ser, independente de ser mulher ou
homem, outra essência, outra vida, um ser que não precisa vir à luz. É assim
que sinto a felicidade em minhas entranhas. Carrego uma vida que não se limita
a crescer no meu ventre, está plasmada por todo o meu corpo como se fosse uma
pele a vestir-me, mas também se encontra ao meu lado, caminha, dorme, acorda,
se alimenta comigo.
Aquela sensação de sentir-me só, ou a necessidade de estar em
amor com o outro ou o que quer que seja, não determina minha felicidade, embora
já tenha pensado e vivido com esta concepção por muito, muito tempo. Não me
condeno por isto, não condenaria quem assim vive, pois todas as coisas e
momentos que vivenciamos caminham para um amadurecimento, um refinamento de
nossas ideias e conceitos. Se restasse apenas eu neste planeta ou de uma
ilha deserta fizesse o meu lar, não estaria o sentimento solidão a sufocar-me.
A solidão perdeu sua grandiosidade, foi obrigada a ceder lugar e vez e só se
apresenta quando solicito uma quietude para estar comigo e deixar que o
pensamento feito nuvem passe tranquilamente.
Aprendi a aplicar uma nova postura que muito se assemelha a
girar em torno de meu próprio eixo, digamos umbigo e qual é o verdadeiro caos
em si amar mais do que tudo e todos? Parece uma atitude egoísta conjugar-me
“eu” em todas as situações, mas só quando nos reconhecemos ser único e especial
é que somos capazes de inverter o amor que não pareia e devotá-lo à nossa
pessoa e aí acontece algo mágico, nos tornamos ponto convergente,
acredite, de mais amor, boa vontade e uma felicidade a toda prova. O Universo
inteiro se volta com o único intuito de suprir-nos e uso esta palavra com o
devido respeito, pois na verdade deveria usar servir. É exatamente isto que o
Universo faz - servir e servir e em dado momento percebemos que fazemos
exatamente o mesmo: servimos. Você de repente se surpreende servo, compreende a
extensão de sua vida e que estás aqui com um propósito definido e o maior deles
é se comprometer com a felicidade que irradia boa vontade e serviço para com
todos. Seria o ato servir, a exata pessoa, da felicidade?
Passei a servir-me com mais amor, carinho, dedicação, boa
vontade e, sobretudo nutrindo uma amizade profunda por meu ser. Estar comigo
mesma, propiciando-me cuidados e assistência faz com que eu me expanda em direção aos outros e este expandir e servir é a
felicidade que não me cabe mais.






