Uma carta de amor para você, Vitalina.
Vitalina,
quero dizer-lhe o quanto te amo e ainda que, em alguns
momentos, se sinta exatamente como a personagem da "Maré", do NX Zero
e se pergunte o tempo todo: "o que é que tô fazendo aqui"? E em dueto cante: "a vida
que levo não é mesma que planejei quando era feliz". E daí??? Felicidade é
algo muito subjetivo e seus momentos, fragmentos de um todo. E o
"todo", é o que realmente importa.
O "todo" é
agridoce e tu sabes distinguir um sabor do outro e compreendes, que juntos,
comportam a essência "viver", por isto devo parabenizá-la e admirar
sua postura, embora algumas vezes, você não se mire com um olhar gentil. Somos
tão propensos a uma ótica rígida no que tange à nossa pessoa, que precisamos
dar um tempo e relaxar nossos nervos ópticos.
Na terça ouvi um
pastor dizer o seguinte: "Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos
façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a lei e os profetas"
(Mt. 7:12). É a Regra Áurea, regra de ouro do Cristianismo, a lei suprema
da semeadura: o que plantamos, invariavelmente vamos colher.
Mas desejo furtar
esta regra áurea da visão "macro", de conjuntos de elementos
interconectados, amplo e a relação entre eles, para a visão "micro",
no sentido de elementar, único, particular, um olhar, me perdoem, meio
egocêntrico. Se partirmos do pressuposto de que uma semente apenas, é capaz de
produzir uma floresta, não avalio ser egocentrismo focar este olhar para nós
mesmos. Se desejo realizar-me como pessoa, alcançar meus objetivos de
forma a ser um canal abençoador não só para a minha família ou amigos, mas
fazer uma diferença positiva em todos os níveis, devo portar-me com olhar,
gestos e atitudes generosas primeiramente para comigo. Isto significa ser grata
a Deus por ser quem realmente sou - possuidora de qualidades e defeitos, uma
semente capaz de produzir uma floresta. "Amar o próximo como a si
mesmo",(em âmbito mais limitado) deveria ser outra regra áurea, mas como
amar o próximo, se não me amo, se não me admiro, se não exerço compaixão sobre
minha própria vida? Muitas vezes nos gerenciamos com um rigor tão
acirrado, que a vida se torna um fardo pesado sobre nossos ombros e isto nos
impede de maximizarmos nosso potencial e ficamos aquém,do que planejou Deus
para as nossas vidas, ou ainda sequer esbarramos em nossas expectativas.
Deixamos a vida e o mundo, com uma improdutividade doída.
Hoje
contaram-me que um pai de família de 70 anos, bem sucedido profissionalmente,
suicidou-se em um dos cômodos de sua casa. Pergunto-lhes: Não havia este homem, em dias idos, matado sua própria vida? A consumação do suicídio nada mais é do
que a constatação da severidade do olhar para si próprio.
Tudo
quanto quero que a Vitalina faça por mim, farei também à ela. Cuidarei com zelo
de sua saúde física, cuidarei com amor de sua saúde emocional, cuidarei com
bons pensamentos de seu bem estar mental. Tudo quanto quero: saúde, amor, bem
estar mental e emocional, faço-lhe também, porque esta é a lei e os profetas.
"Lei (do verbo latino ligare, que significa "aquilo que liga",
ou legere, que significa "aquilo que se lê") O que ligo, ato a mim, é
lei, a sentença a qual me submeto. O que falo, dito, a meu respeito, são
palavras (profecias, enquanto profeta, somos todos profetas) a serem lidas, e
sou eu quem as redijo (profetizo), confiro-lhes enredo (poder), um sentido.
"Esta é a lei e os profetas".
Procedendo
com gentileza e amor para comigo, "eu", Vitalina, retribuo na mesma
medida. Assim, ao sair da visão micro para a visão macro, torno-me um
instrumento (pessoa) capaz de operar mudanças interiores, sem as quais torna-se
impossível mudar exteriormente.