Por Vitalina de Assis.
De todos os sonhos, guardou apenas um.
O que se travestia de inocente ingenuidade,
e criança, queria brincar com a noite.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
sábado, 22 de outubro de 2011
HUMMmmm!!!...
Como mantra
em sonora vibração
a seduzir
tal é este olhar
meus segredos a desnundar
Não se dê por vencido
um olhar
outro chama
outro chama
e o castigo?
uma nudez
despudorada!
Por pouco
não sinto o sopro das asas.
Por pouco
não sinto o sopro das asas.
O olhar
Ah este olhar?
Encantou-me
pousou
reconquistei meu mundo.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Mãe e seu inferno existencial.
Tem coisas que jamais serei capaz de compreender ou aceitar. Não consigo entender o sentido da vida, se é que tem algum sentido ou propósito de fato, ou se os inventamos para justificar nossa existência como se a falta deles fosse um crime hediondo, um pecado imperdoável.
Já me questionei milhares de vezes sobre o porquê de eu ser como sou. Poderia ser eu, uma pessoa melhor? Mais humana, mais compreensiva, mais tratável? Quanta vida tem que se viver ou que sacrifícios podemos fazer para sermos quase perfeitos? Pois a perfeição não é algo que esteja ao alcance de pessoas. Talvez os animais sejam perfeitos porque não falam, não fazem valer seus direitos ou opiniões, não discutem, não respondem e não emitem juízo de valores a despeito de. Simplesmente estão por aí, presentes, sinceros, amigos, calados. Prontos para demonstrar que consideram nossa vida importante, prontos para sumir de nossa presença caso verbalizemos isto, prontos para ficarem próximos a encarar-nos com olhos compreensivos. Tendo-os assim tão solícitos, podemos na mesma proporção, compará-los aos animais selvagens que, se descuidarmos, são capazes de tirar nossa vida.
Pergunto-me todos os dias onde falhei ao gerar filhos. Não falhei no ventre, nasceram sadios, perfeitos, no tempo certo. Não falhei na amamentação, dei-lhes o peito enquanto quiseram sugar. Na alimentação lhes dei o melhor que as condições permitiam, não descuidei do almoço, não omiti o jantar, não falhei no lanche. Quanto ao vestuário, roupas limpas e bem passadas. Não sentiram frio que eu não pudesse aquecê-los, não passaram fome, não ficaram ao abandono, ao relento, ou desprotegidos. Enfrentei perigos, perdi noites de sono, deixei de preocupar apenas comigo, me doei. Deixei de comer o melhor para que o melhor fosse dado a eles.
Amor? Não tenho dúvidas de que foram amados desde o primeiro instante em que soube de sua existência em minhas entranhas. Por nenhum segundo sequer desejei que ali não estivessem e se o tivesse feito, seria um destes deslizes da maternidade com os quais aprendemos a conviver e a nos perdoar. Amei e amo como somente quem gera pode amar. Meus atos não dizem que amo? Que atos então deveria ter para que os mesmos falassem de amor? Quando tudo ruiu ao meu redor, me mantive sã, permaneci presente mesmo em dores e desejos de não existir. Permaneço presente mesmo quando sinto que falhei sem saber onde e quando.
Ensinei gratidão? Ensinei honrar, amar, respeitar? Dei educação e bons modos? Parece-me que foi aqui que falhei. Ensinar palavrinhas mágicas: por favor, obrigada, me desculpe, não faz necessariamente uma pessoa grata e solidária. Não se ensinam a serem pais em escolas, e muito menos se ensina a serem filhos. Quem ensina isto afinal? Nossos pais? Aprenderam eles com seus pais? Ensinamos nossos filhos? Afinal, quem ensina quem? Não me ensinaram, não possuo este conhecimento, e também não me sinto apta a ensinar. Cobro-me, me cobram e falho nos resultados, nas cobranças, nos erros e acertos. Tenho erros, muitos erros, mas quem os julga? E que parâmetros temos por base? Tento acertar todo tempo. Penso que os anos vividos, na medida em que vão se distanciando dos anos passados, possuem uma cartilha e o dom de ensinar. Será?
Devo ser uma pessoa má, egoísta, o tipo de mãe que “além de não ajudar, ainda atrapalha”, é o que ouço como se fosse uma sentença. Faço o que penso que posso, faço o que acho que é certo, faço o que minhas limitações permitem. Não sou perfeita, pior, nem razoável me considero na arte “ser mãe”. Posso mudar? Não sei dizer. Quero mudanças? Todas as que me forem possíveis. Quero trabalhar por estas mudanças? Pagar o preço do aprendizado? Ou quero apenas aceitar minhas limitações, meus entraves, minha " insolução” ante as possíveis soluções? Não sei o que realmente quero.
Quero uma mágica que faça tudo por mim, não são assim as orações? Transforma-me, enquanto sou eu, sou eu, sou eu - que não faço, que não desejo inteiramente, que responsabilizo o outro, que talvez culpe a Deus em alguns momentos insanos, e que se dane o mundo. Então, tento não falar. Tento me calar. Tento me omitir ou ainda, tento fazer, mudar, fingir.
Quero o silêncio de dias calmos, quero a paz de dias idos, quero a sorte de mudar. Quero sumir, sem me ausentar. Quero morrer, sem descer ao túmulo, quero permanecer presente, sem ser notada. Quero mudar. Quero mudanças. Mudar os outros.
Quero poder...
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Ouvindo o inaudível.
Por Vitalina de Assis.
Passamos uma vida inteira buscando respostas e certamente algumas, ao longo de nossa existência, jamais serão compreendidas, (disse compreendidas) outras brilhantemente sim.
Somos a somatória do que aprendemos no nosso núcleo familiar, do que nos ensinaram na escola, do conhecimento de mundo adquirido por experiências apreendidas, vivenciadas, e pelo uso diário que fazemos de nossa autonomia (compreendendo-me com um ser desvinculado de “a” ou “b”). Acrescida com o passar dos anos de maturidade, nossa autonomia logo compreende que o livre exercício do querer, não tão livre quanto imaginávamos de fato, requer um suporte. Assimilado isto, percebemos uma sabedoria universal e disponível sempre que nos encontrarmos diante do desconhecido, ou de bifurcações que nos exijam uma escolha.
Quantas vezes necessitamos de um direcionamento e, ainda que conselhos chovam sobre nossa cabeça, talvez nenhum deles tenha o mágico poder de aliviar-nos. O que fazer então? Desesperar-se? Fugir de tudo e de todos (para que ir tão longe em busca de respostas?) como se isto fosse o “abre-te sésamo”? A solução ideal?
Que tal buscarmos a tão desejada resposta no nosso “eu” interior? Não faço alusão ao “eu” do centro, o qual nos torna egocêntricos, avessos a conselhos, ou mudanças. Refiro-me ao “eu” que está conectado com o Divino que tem todas as respostas e pode facilmente, apontar-nos uma alternativa ainda não cogitada, uma saída de emergência, um plano "b".
Este “eu” interior nada egocêntrico, é uma porta aberta para aquela doce voz que se recusa a falar no 'vento', no 'terremoto', no 'fogo', mas que prontamente fala e é possível ouvi-la na brisa, na leveza do ser, no aquietar dos sentimentos conflitantes, na necessidade de um socorro ou conselho que está além do amigo, além das profecias, além do terapeuta, além das muitas vozes.
Nosso eu interior carece de um “enfim sós” quando todos se foram, quando a porta fechada está , quando reina apenas o silêncio para ouvirmos o que realmente importa. Em nossa conexão com o Divino está o "seguro" , ou “selo” de autenticidade que nos capacita a assumir o controle.
Não está ligado a doutrinas, líderes espirituais, livros de autoajuda, ou algo semelhante. Trata-se apenas do nosso bate fone vermelho, o linha direta com quem tem todas as respostas e saídas estratégicas. Como ouvi-lo? Como acessá-lo? Como beneficiar-se de seus conselhos infalíveis para uma mudança de comportamento, pensamentos, ou um novo direcionamento?
Não é difícil, mas também não será um mar de rosas, uma vez que silenciar e aquietar-se soa absurdamente impossível em dados momentos. Quando tudo em nós deseja gritar e chutar o balde, insinuar-se como o politicamente correto, dê um tempo, respire fundo e ouça sua voz interior. É perfeitamente possível que em meio a este turbilhão no qual se encontra, uma luz brilhe em seu caminho, uma voz faça toda a diferença. Ouça!
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