Por Vitalina de Assis.
"Para evitar a crítica, não faça nada, não diga nada, não seja nada". Elbert Hubbard.
Quero iniciar meu texto com este pensamento de Elbert Hubbard, filósofo que viveu no século 18 e mesmo pensado e escrito a tantos anos, ainda é regra para milhares e milhares de pessoas. Podemos argumentar e considerar que tal pensamento não se aplica mais nos dias de hoje, uma vez que parece impossível existir um ser que não queira pronunciar-se, fazer valer sua minoria, reivindicar seus direitos, “autonomizar-se". Este desejo está intrínseco no ser humano, todavia a crítica poderá facilmente subjugar-nos, se a ela conferirmos tamanho poder.
Lendo nas entrelinhas do pensamento filosófico, é possível inferir: “Para evitar a vida, não respire, não ame, não experimente”. Chegue ao final de seus dias visualizando saudosista uma vida transparente, não no sentido de integridade e caráter irrefutáveis, mas uma vida rasa em empirismo, um vácuo a adentrar na eternidade.
Todas as manhãs ao ir para o meu trabalho, avisto um filhote de biguá que mergulha e se alimenta nas águas frias e infelizmente poluídas da lagoa da Pampulha. O que intriga-me ao observar este filhote é que ele sempre está só, e devo confessar que não foram poucas as vezes, em que apiedei-me por sua situação ao imaginar seu atual “estado de abandono”. Em nossa cultura somos levados a crer que o que anda só, o que está sem um amor pareado ou uma família que lhe dê suporte sofre por esta circunstância. Triste engano, afirmarão milhares que vivem nesta condição e são felizes, bem resolvidos. Observei um pouco mais, tão pequena e solitária naquela imensa lagoa. Considerei o tamanho do seu universo e de suas muitas possibilidades de estar em qualquer trecho e da qual fazia uso livremente, uma vez que era possível vê-la em diferentes pontos em dias alternados, ou não vê-la. Se dava ao luxo de ausentar-se de sua rotina previsível, possuía a liberdade de ir e vir, de estar ou não estar conforme seu absoluto querer. (Não inveje, copie! Mesmo que para isto gaste uma vida inteira.)
A felicidade é um estado de espírito, um desejo consciente, algo que podemos elaborar mesmo em situações controversas. O que não promove a felicidade é acreditar que está no outro a condição “ser feliz”, aqui sim, reside um perigo eminente. Se atribuirmos ao outro, ou às circunstâncias a responsabilidade do “ser feliz”, qualquer “mero olhar desaprovador” seria o suficiente para lançar-nos nos braços da infelicidade. Felizmente a Sra. Felicidade não é tão mesquinha e condicionante e não se encontra distante, exilada em outro planeta além do nosso alcance. Ela habita no interior de cada ser vivo, seja ele uma ave que mergulha solitária em uma lagoa fria, ou em um ser inteligente e disposto a reverter qualquer situação que não lhe caia bem.
Hubbard acerta em cheio ao iniciar seu pensamento com uma possível receita para não sermos criticados, porém a que preço! Quantas críticas infelizes foram a causa de incontáveis abortos, e quantos não dariam um braço para se verem livres dela? Entretanto, se o alto preço implica em nada fazer, nada dizer, um nada ser! Mil vezes bem vinda seja a crítica. Prefiro fazer, prefiro dizer, prefiro ser.
Lendo nas entrelinhas do pensamento filosófico, é possível inferir: “Para evitar a vida, não respire, não ame, não experimente”. Chegue ao final de seus dias visualizando saudosista uma vida transparente, não no sentido de integridade e caráter irrefutáveis, mas uma vida rasa em empirismo, um vácuo a adentrar na eternidade.
Viver comporta muitos riscos, dores e perdas e não deduza que minha concepção carrega nos ombros uma alma oprimida, infeliz, que enxerga a vida com cores gris, porque isto não é verdade. Desafio quem quer que seja a provar que a vida não comporta riscos e uma face, digamos, um tanto desafiadora. Uma oponente que nos instiga a tempo e fora de tempo a vencermos nossos limites superando críticas alheias que não condizem com a imagem que temos de nós mesmos, ou com a construção de nossos sonhos. O que vem a ser exatamente isto? Que imagem possuo de mim, ou do momento que vivencio?
Mergulhava por alguns segundos e era visível sua satisfação ao vir à tona com, ou sem seu alimento. Insistimos na superfície mesmo quando o mergulhar apresenta-se como a única forma de satisfação e resposta. Em águas rasas, mornas, rotineiras, jamais seremos capazes de ousar. A mesmice de todos os dias rouba-nos tesouros submersos, aprisiona nossos sonhos, inibe nosso querer.
Pequena em uma lagoa imensa! Enxerguei assim as inúmeras possibilidades de quem aventura-se a estar só. Não se dava conta da minha presença, da presença de outros pássaros, de sua “suposta solidão”, da falta de um bando. Pareceu-me extremamente feliz e bem ajustada. Não são assim milhares e milhares de pessoas por todo o mundo? A rede de Drogarias Araújo fez uma propaganda interessantíssima que provavelmente já assistimos dezenas de vezes e parte de seu slogan é o seguinte: “Não existe padrão para caminhar...” Se não existe um padrão para caminhar, haja vista várias formas para se sair do lugar, porque então acreditar que só se é feliz aos pares? Pode ser muito cômoda ou desconcertante esta associação. Mesmo um “eremita” que buscou esta condição de vida poderá atestar que está feliz com sua escolha.
A felicidade é um estado de espírito, um desejo consciente, algo que podemos elaborar mesmo em situações controversas. O que não promove a felicidade é acreditar que está no outro a condição “ser feliz”, aqui sim, reside um perigo eminente. Se atribuirmos ao outro, ou às circunstâncias a responsabilidade do “ser feliz”, qualquer “mero olhar desaprovador” seria o suficiente para lançar-nos nos braços da infelicidade. Felizmente a Sra. Felicidade não é tão mesquinha e condicionante e não se encontra distante, exilada em outro planeta além do nosso alcance. Ela habita no interior de cada ser vivo, seja ele uma ave que mergulha solitária em uma lagoa fria, ou em um ser inteligente e disposto a reverter qualquer situação que não lhe caia bem.
Hubbard acerta em cheio ao iniciar seu pensamento com uma possível receita para não sermos criticados, porém a que preço! Quantas críticas infelizes foram a causa de incontáveis abortos, e quantos não dariam um braço para se verem livres dela? Entretanto, se o alto preço implica em nada fazer, nada dizer, um nada ser! Mil vezes bem vinda seja a crítica. Prefiro fazer, prefiro dizer, prefiro ser.





