Todas as vezes em que venho aqui sempre encontro entre linhas e entrelinhas , o que explicitamente é gritado aos quatro ventos, ou segredado de forma quase imperceptível entre letras e sinais, entre o dito e o não dito, que tua alma canta o amor, que tua alma além das medidas ama e que tua alma além das medidas também, é amada, ou não? Nunca saberei dizer ao certo, porque em nossa vida tudo é tão incerto quanto certa é a certeza de que uma eternidade nos aguarda e que uma vida talvez seja muito pouco para se vivenciar tão grande amor, tão grande entrega, ou ainda uma busca sem tréguas e sem descanso por algo que nem sabemos definir e imaginar o que seja.
Que importância tem tudo isto afinal?
Algumas coisas nunca serão matematicamente explicáveis,
Algumas coisas nunca serão metaforicamente entendidas,
Algumas coisas nunca serão vivenciadas em sua essência, porque da essência nada sabemos.
Algumas coisas nunca serão vistas, tocadas, mas.......
Algumas coisas sempre caberão de A a Z e mãos hábeis serão capazes de, em supostos desenhos aleatórios deixar escapar e vergonhosamente, anunciá-las.
Isto postei para o meu amigo poeta (Silvio Afonso) , e compartilho avessamente comigo também, pois minha alma grita nesta manhã de carnaval que gostaria de estar entre máscaras, talvez de Arlequim, Pierrot, Columbina quem sabe, ou abrir um dos vértices do triangulo, ( Pierrô ama Colombina, que ama Arlequim, que, por sua vez, também deseja Colombina) e criar uma nova modinha, ou ainda avessamente, de mim mesma.
Não me atrevo a tanto. Hoje não estou vestida para desvestir-me. Estou nua e minha nudez há de ser castigada, porque dias de nudez raros e especiais, não se misturam aos dias anormais que, supomos em nossa filosofia de almanaque serem normais e enfadonhos. São estes os que nos secam, os que querem beber insaciávelmente nossa essência e não se dão por vencidos ainda que suas medidas transbordantes estejam. Então, quedo-me aqui e permito-me lacrimar meu vazio e inconstância, permito-me ao esmorecer de minhas forças, permito-me ao fraquejar de minhas pernas e ao vacilar das minhas mãos (não são tão hábeis para reter, gostaria muito que fossem) apenas para viver o avessamente de mim mesma. Há momentos em que o fragilizar é o mais honesto e politicamente correto a se fazer. Esvaziar, esvaziar e lá na curva à frente, deixar-se encher de novo e de novo e mais tarde, quem sabe no próximo carnaval, repetir o ciclo.
Que vivam os desenhos aleatórios de A a Z que nos permite expurgar demônios e bruxas.






