quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Eu caçador, caça.


Por Vitalina de Assis.

Conhecem aquele ditado: “Um dia é da caça e o outro do caçador”? Acredito que sim, e quando o evocamos com a nossa mente, invariavelmente atrelamos este dito aos relacionamentos, entretanto quero conduzi-los a uma nova aplicação do dito cujo.

VENHA COMIGO!

Imagine um belo dia de sol, você desperto, faminto e lá fora a floresta ideal para caçar e exercer sua força de predador. Você se alimenta antes, é claro, (não dá para sair sem um bom desjejum, embora muitos, inclusive eu. o faça de vez em quando) e com todos os sentidos em alerta, um olhar observador e cheio de atitude  parte para a conquista. A caça entre folhas e arbustos sente que seu dia não será tão promissor quanto o seu, apesar de compreender a ordem natural das coisas: “Sou caça, sou alimento, sou vida.”

Opa! Onde é que estamos de fato?

Hum… nada a ver com floresta, nada a ver com “peludos, penugens, ou escamas”. Como fica o final desta estória então?

EIS UMA REVELAÇÃO!
VOCÊ JÁ SABE, SÓ VOU PONTUAR ALGUMAS COISAS.

Se tiver um espelho ao alcance queira por favor dar uma conferida?

Excelente! Esta pessoa charmosa com um olhar enigmático e muito seguro, (acredite, seu olhar é assim, intimidador, perspicaz!) é o CAÇADOR. Está procurando a “pinta” do predador? O.k., ela está  bem aí neste brilho no olhar. Afaste-se do espelho por alguns segundos, por favor, encare-o novamente. Isto! Aquela pessoa charmosa continua aí sorrindo para você? Prazer em conhecer, sou a sua CAÇA!

COMO ASSIM? Eu CAÇADOR e CAÇA ao mesmo tempo?

Luís Carlos Sá e Sérgio Magrão foram muito felizes ao compor esta letra e Milton Nascimento presenteou-nos com uma belíssima interpretação, aproprio-me de alguns versos:

“Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir das armadilhas da mata escura


Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim”.


“Vou descobrir o que me faz sentir, “EU” CAÇADOR DE MIM.

Perdemos o sentido da vida quando nos colocamos indefesos sobre as armas de um caçador, ALHEIO, DESCONHECIDO.
Perdemos o sentido da vida quando nos colocamos como a CAÇA indefesa, sobre a mira deste CAÇADOR alheio, desconhecido. Permitimos que ele se assenhore, e nos faça cativo quando o politicamente correto seria cada um de si, CAÇADOR DE SI… EU, CAÇADOR DE MIM.

VOCÊ COMPREENDE ISTO?

Você CAÇADOR(A), você CAÇA, eu CAÇADOR, eu CAÇA, em algum momento de nossas vidas, depomos as armas e ficamos acuados a espera do tiro de misericórdia. Quantos vivem uma vida inteira, acuados, cativos, sem expressão, sem amor próprio, sem se permitir ao novo, ao inusitado com o qual todos os dias a vida nos presenteia? Em um dia qualquer, um desvio no caminho te surpreendeu, te prendeu, tolheu, atou suas mãos e pés e você nem se deu conta, continuou seguindo à margem da maximização das suas potencialidades e à margem, minimizou-se.

A GRANDE NOVIDADE!
“VOU DESCOBRIR O QUE ME FAZ SENTIR, “EU” CAÇADOR DE MIM”.

Tenha fé na sua CAÇA que anda acuada e sem brilho. Permita-lhe que se liberte. Solte você as suas amarras, quebre as correntes, abra esta cela e desfrute daquilo que te faz viver. Um CAÇADOR nunca será feliz se perder seu instinto predador. A CAÇA nunca cumprirá a ordem natural das coisas se não compreender que está sujeita ao caçador. CAÇA E CAÇADOR, VOCÊ E VOCÊ se bastam.

CAÇADOR não entregue sua CAÇA ao alheio, ao desconhecido. Fuja “às armadilhas da mata escura”.
Você é o "senhor" das circunstâncias. Nunca se deixe acuar. Tome suas armas, coloque um sorriso nos lábios e conquiste!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ouse acreditar!

Por Vitalina de Assis.



Sucesso é uma palavrinha tão simples e tão simploriamente definido no Aurélio, que custo a acreditar que para alcançá-lo tenhamos que dar tantas piruetas, tantos saltos olímpicos e no final acabar descobrindo que o salto não foi o pulo do gato e a pirueta não foi digna de espanto.

Vejamos  o que nos diz o Aurélio: SUCESSO. 1. Acontecimento, ocorrência, 2. Resultado, conclusão. 3. Resultado feliz. 4. Livro, espetáculo, etc., que alcança grande êxito o autor, artista, etc., de largo prestígio e ou popularidade”. Simples assim? Deveria ser dadas as definições, no entanto a simplicidade está em outro terreno e neste, quanto mais alto o salto e quanto mais mirabolante as piruetas, a consequência inevitável será o tão desejado sucesso.

Bruce Barton fez uma definição de sucesso que acho mais apropriada e foi justamente esta definição que caiu como luva primeiro em minha vida e depois brilhou no meu convite de colação de grau. “Nada de esplêndido jamais foi realizado, exceto por aqueles que ousaram acreditar que algo dentro deles era superior às circunstâncias.”

Amo as palavras e o efeito que algumas delas combinadas podem proporcionar. Soma-se uma aqui e outra ali, apropria-se de uma aqui e outra ali, vivencia-se uma aqui e outra ali, e….zás, molda-nos estas palavras de tal maneira que logo estranhamos nosso reflexo no espelho dos nossos sentidos. Não foi um corte de cabelo, uma roupa nova, ou uma maquiagem incrível, no entanto um novo brilho e atitude são perceptíveis e como um ponto convergente, somos agora o alvo do sucesso.

Esplêndido – Realizado – Ousaram – Acreditar – Dentro – Superior.

Vamos brincar um pouco com estas palavras, mudar a ordem e alcançar resultado efetivo.

Acreditar- Se não for você a primeira pessoa a dar-lhe crédito irrestrito, dificilmente sairá do lugar comum, portanto não economize na alta estima. Acredite no seu potencial e nos seus sonhos.  É dentro e de forma quase imperceptível que se começa uma grande revolução.

Ousar- Não se limite, não se minimize, não empobreça seus pensamentos e sonhos. “Sonhe com força”, sem contudo esquecer-se da “disciplina para persegui-lo com método e eficiência.” "Somente uma forte autoconfiança nos impede de ceder à intimidação ou manipulação".

Dentro – Encerrado em você está todo o potencial e força de atração para o tão desejado sucesso. Por que procurar agulhas no palheiro se nas entranhas do seu ser pode-se encontrar tesouros?

Superior- O infinito dentro de você que não pode falhar é superior a qualquer circunstância, obstáculo, ou situações que relutam em submeter-se ao seu governo. Dê um tempo, e elas se curvam.

Esplêndido – É o sucesso que foi-lhe imputado por justiça, usufrua e seja feliz.

Quanto a:
“Somos peixes em um aquário de limitações criadas em nossa própria mente.”

Vamos rever este conceito?

Que tal ser uma “Free Willy” e sair por aí saltando redes e colunas de fogo? O oceano tornar-se-á pequeno para conter suas gigantescas barbatanas.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Floresça onde está plantado. Agora são duas flores!

Por Vitalina de Assis.



Meu beijo no esgoto agora são duas flores,  nunca vi nada tão lindo e inspirador! Choca-me ver tanta vitalidade e vontade de se impor,  não  uma imposição forçada daquelas que descem pela goela abaixo doa  a quem doer,  mas   um "Manifesto" pela vida, pelo simples fato de querer viver e ser feliz a todo custo.

Me acompanhe nesta viagem.

Ao observar minuciosamente suas condições percebi para minha surpresa,  que  o mesmo brotara em um pequeno buraco na lateral do poço e não no fundo como era de se esperar.  Com pouquíssima terra e nenhuma  irrigação diária, se nutre das águas pluviais  e uma vez por semana  da água que lava o piso da garagem. Fica  exposto o dia todo ao sol e às intempéries sem nenhuma proteção e cada dia que passa está mais imponente. Tento compará-lo a alguém que conheça e não consigo humanizar sua imagem, parece impossível enquadrá-lo em um personagem real, do nosso mundo real, próximo e tão parecido conosco, isto porque ele se impõe em um ambiente hostil com delicadeza e vigor. Delicadeza porque plantas ornamentais são   frágeis, pelo menos nos dão esta impressão (nossa existência também o é e podemos escolher florir ou não). Vigor  porque mesmo em local inadequado, sem as mínimas condições e contrariando toda regra, cresce a olhos vistos e por seu  esforço e determinação é coroado com belas flores.

Suas flores levaram-me a  pensar sobre o poder que possuímos de influenciar para o bem ou para o mal e aqui cabe um questionamento: onde e como tenho exercido esta influência? Minhas atitudes e comportamento tem sido positivos? Como não pensar no  poder que possuímos  de agregar outros à nossa visão ou ideia, e  principalmente no poder que possuímos para “florescer”, ser um diferencial onde estamos plantados ou inseridos, como queiram.  Estou florindo e permitindo que outros floresçam ao meu redor?

Foi-me sugerido retirá-la e plantá-la em terra firme, mas não sei se devo fazê-lo e   apesar de sentir-me responsável por ela, sei que não está em mim  o poder de prolongar seus dias de existência. Estaria tão forte se em terra firme, em um belo jardim estivesse cultivado? Ou sua situação adversa é o que  lhe confere a força e sutileza para viver e driblar todas as adversidades? Acaso não farei mal maior ao retirá-la ainda que tenha as melhores intenções? Fico dividida entre o observar e tocar, observar e arrancar. Algumas de nossas interferências podem ser danosas, não é mesmo?

Ao observarmos  alguém tocamos em sua vida e podemos conferir-lhes virtudes ou levianamente roubá-las ao tentarmos com nossa atitude, opinião, conselho (de graça ou taxado, necessário ou descaradamente dispensável) impor nossa vontade, nossos preceitos, nossa tosca visão de mundo.

Melhor então observar e deixar que amadureça, que a seu tempo (não no meu) seja capaz de expandir suas raízes, florir afinal.  Somos a única criatura do universo capaz de exercer a imaginação criativa, livre o bastante para sonhar e mudar nosso destino, ou quem sabe apenas florescer e inspirar outras vidas.  E... experimente  ser um beijo, prova viva e incontestável, um totem em celebração e agradecimento à vida

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Não precisou implorar.

Por Vitalina de Assis.




 


Este dia poderia ter começado e terminado como sempre começam e terminam seus dias... Normais, enfadonhos. Sua excitação  misturando-se ao oxigênio e alguns poucos machos sentindo isto na pele e no olfato, no entanto estava claro para ela e isto via-se no seu olhar e gestos que ele seria inusitado, incomum, diria até, despudorado, safado!  

Este dia abrasava, roçava em suas pernas, fazia arder suas entranhas, convidava para o prazer...

No banho percebe suas mãos com vida própria. Na nuca deslizavam apenas as pontas dos dedos. Redesenhavam o contorno do seu pescoço, perdiam-se atrás da orelha e seus dedos ousadamente penetravam em seus ouvidos, um após o outro, e cada um deles gemiam. Gemiam desejo, gemiam paixão.

Agora contornavam seus lábios penetravam em sua boca e eram bem vindos. Entravam e saíam, eram mordidos, lambidos, chupados com violência e esquecidos como se precisassem descansar e aguçar sua imaginação...

Descansados e ousados pressionavam seus mamilos, desciam até seu umbigo, subiam novamente. Lentamente, mais pressão, iam e vinham, tinham pressa.

Novo descanso. Pararam sobre a sua vagina. Excitava-se ao olhar.

Não entendia esta vida própria que os possuía, mas deliciava-se aos vê-los em um movimento ousado e não podia mais conter seus gemidos, seu desejo, sua tara.

Abriu suas pernas de forma provocante e implorou para ser penetrada...

Mas o que é isto? Não se mexem mais? Que desejo é este que imprimem em mim e que se negam a satisfazê-lo? Que louca brincadeira é esta? Não vão me possuir? Excitam-me, me alucinam, se insinuam, me provocam a ponto de perder minha racionalidade e o domínio sobre minhas emoções e simplesmente se vão?

Sua respiração ainda estava ofegante, seu coração batia descompassadamente, seu sexo em chamas e sua mente perdida na fantasia do não acontecido, tenta em vão racionalizar e entender o que se passara.

Ouve a campanhia...

Violentamente é arrancada do seu devaneio. Odeia esta intromissão e insanamente, sem sequer cobrir-se com a toalha, vê-se diante da porta, sua mão gira a chave, toca na maçaneta e abre-a...

Aquele estranho homem com um fogo nos olhos que queima seus lábios, estende sua mão direita, toca na sua nuca e puxa-lhe para um beijo. Nunca sentira um beijo como aquele, doce, suave, envolvente e com tantas nuances e movimentos.

Escuta a porta bater, a chave girar. Seu corpo nos braços daquele que cheira a desejo é envolvido por um abraço que há muito não sentia. Ele move-se livremente e parece conhecer aquele espaço. Estão no quarto, sobre a cama. Abre suas pernas, não precisou implorar.




terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Um dia a menos.

                                      
Por Vitalina de Assis
Um dia a menos.   
Outro dia, meu  amigo Weber, desafiou-me a escrever um texto que abordasse esta ideia que não é de fato apenas uma ideia, mas uma realidade da qual muitas vezes não temos plena consciência. Algumas pessoas consideram ao cair da tarde que venceram mais um dia, são as tais que suspiram felizes por terem abatido mais um leão como se a vida fosse um eterno safári e nós caçadores compulsivos. Outros que eu não ousaria chamar de pessimistas terminam o dia com um “lamento” satisfatório de dever cumprido que mais parece um agouro tamanho peso sobre os ombros. Suspiram profundamente e verbalizam em alto e bom tom: Ufa! Um dia a menos!
Provavelmente eu e você já fizemos isto incontáveis vezes sem nos darmos conta de que esta contagem é regressiva, de que não caminhamos apenas para mais um final de semana festivo, mas que um dia a menos, invariavelmente, encurta nossos dias. Já atentastes para isto?  Se víssemos a realidade “cruel” (porém necessária) desta contagem regressiva, certamente atentaríamos para “detalhes” que dada à urgência do viver passam despercebidos e faria toda a diferença se os observássemos.
Não gostamos de pensar na morte, sentimos arrepios quando ela insinua um olhar sedutor e por mais que a repudiemos, a mesma não se ressente e continua a espreitar-nos como uma boa predadora, resta-nos então, seguir seu exemplo de dedicação e aplicarmos este mesmo olhar à amiga, oposto da morte, que mira-nos com apreço e deleite.
Um dia destes ao olhar da janela do meu apartamento, vi uma linda e viçosa flor rompendo a superfície da grade do esgoto como se tivesse sido cultivada em um belo jardim. Aquela visão mexeu com os meus sentidos! A flor em questão era um beijo rosa, e mesmo a uma considerável distância, era perceptível sua viçosidade. Bastou uma mínima porção de terra para gerar beleza em um local tão inadequado. Pergunto-me, se enquanto flor, enquanto “beijo”, se a postura daquela planta (permita-me usá-la como uma metáfora) não teria feito toda a diferença.
Pensar em um “beijo” crescendo entre esgoto, mau cheiro, água suja e uma porção mínima de terra pode parecer impraticável, um contra senso, mas a flor, inconsciente deste fato, prova viva e incontestável, erguia-se como um totem em celebração e agradecimento à vida.
No seu pequeno mundo não se dava conta de viver um dia a menos, no seu pequeno mundo,  o que contava era a diferença de sua inusitável presença em meio ao caos. Mais um dia para ornar, mais um dia para ser grata, mais um dia para vivenciar pequenos detalhes, mais um dia para amar na prática, não apenas em palavras ou sob a responsabilidade do outro. Mais um dia para solidarizar com as pessoas, com o mundo, consigo mesmo.
Pare por um minuto apenas e experimente ser um beijo, prova viva e incontestável, um totem em celebração e agradecimento à vida. E aos nossos irmãos que sofrem com as enchentes, nosso gesto de carinho e atitude e uma prece a Deus.