terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Livremente.

Vitalina de Assis.

Por sorte a alma desconhece os limites territoriais do corpo e pode fluir livremente sempre que invente. Pode ir e vir em uma irresponsabilidade jeitosa, deixar pesos, agregar leveza, passear entre mundos, redirecionar pensamentos.




E, assentar novos rumos, assumir novas formas, criar novas metas, ser feliz.

Metamorfoseamos quando os ignoramos irreverentemente, apesar de nos proporcionarem uma falsa ideia de segurança, limites são assim: protejo-te, se não me ultrapassas.

A ciência de um saber que,
ignora potenciais e minimiza sonhos e desejos,
enclausura em uma falsa zona de conforto e,
sedados e conformados muitos vivem à margem do que realmente são,
ou gostariam de ser... fazer.

Louvado seja cada rompimento imperceptível, pois logo será incontido.
Louvado seja alma bandeirante que derruba matas,
rompe fronteiras,
finca bandeira.

Louvado seja “aspirar labirinto adentro, apertar labirinto afora”.


Bons tempos de inteiração Silvio Afonso.

Abram Alas... 2011 chegou!

Por Vitalina de Assis.


 


Que ensinamentos assimilamos ao longo do ano que finda e o que gostaríamos de ter como certeza absoluta neste ano vindouro? Deseja uma certeza absoluta? Que tal? Você é especial, único e completamente capaz de mudar sua estória caso realmente queira.

O que aprendemos cabe a cada um de nós enumerá-los em um balanço e ao priorizá-los na ordem de sua importância tentar colocá-los em prática, pois um aprendizado (por mais difícil que pareça) precisa ser efetivado. É na prática e persistência que adquirimos destreza. Sugiro também que faça hoje mesmo uma lista dos seus pertences (inclua tudo, verá que sua vida não foi um desperdício afinal e que seus ganhos foram no mínimo, significativos.) Não esqueça de listar o "pessoal" e lembre-se, as pessoas com as quais convivemos e amamos são o maior acervo que poderíamos conquistar ao longo de nossa existência. São poucos? Muitos? Uma torcida inteira? O que importa é a qualidade do vínculo, do apreço. Coleções às vezes só ocupam espaço e empoeiram esquecidas em algum canto, outras servem apenas como fermento bolorento inchando o orgulho de quem as possui. Só você determina o que te faz realmente feliz.

Liste os bens que você possui em casa começando por ela, naturalmente. (Aluguel? E daí? Com determinação e esforço é possível mudar isto.)

    a) Tenho um teto sobre a minha cabeça. (Não foi preciso dormir embaixo de uma ponte, embaixo da marquise de uma confeitaria, ou em um lote vago ontem à noite.)
    b) Tenho com o que me alimentar. (Não precisei mendigar comida e tampouco revirar o lixo.)
    c) Tenho pessoas queridas que zelam e se preocupam comigo. Não estou abandonado, esquecido, ou jogado às traças e ainda que o “distinto” ou a “distinta” tenha partido em direção oposta, sempre há um ombro amigo e uma palavra de conforto, além do que, a fila anda e a vida continua, oras!
    d) Que beleza! Tenho a propriedade inalienável de sonhar, estabelecer meus objetivos e fazer algo de bom e construtivo com a minha vida. Nada como um dia após o outro, um recomeçar oportuno, um rever de posicionamento, uma ATITUDE!
    e) Possuo a fé que me permite enfrentar todos os amanhãs. Se considera-se um ateu, por que então ao dormir ontem planejastes seu dia de hoje, ainda que teoricamente? Porque teve fé de que acordaria, porque tem fé na vida? Porque acredita que sua existência não se formou no limo? Alguém te projetou e dotou-o de capacidade.
    f) Tenho um trabalho a fazer. (você pode até não gostar do que faz, mas o que tem feito de fato a este respeito?) Sou mental e fisicamente apto para o trabalho, contribuo, faço diferença.
Acredite! A vida nos sorri festiva quando a visualizamos por outras perspectivas, quando enxergamos o que já temos de bom e reconhecemos sua generosidade para conosco. Não podemos esquecer de listar o nosso passivo. Se eles forem em número maior que os ativos estamos à beira da falência e precisamos de uma grande injeção de fé positiva e “mãos a obra”, é hora de virar este jogo! Somos seres únicos, especiais e amados por Deus, sendo assim podemos contar sempre com a sua ajuda.

Embarque neste novo ano carregando em sua bela mochila, uma dose exagerada de otimismo, uma porção considerável de sorriso, e uma fé inalienável em Deus e na obra prima de suas mãos, VOCÊ.

FELIZ 2011! Muita saúde e paz, e como cantou Rionegro e Solimões, “o resto agente corre atrás”.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Natal, momento oportuno?

Por Vitalina de Assis.




Seria o natal um momento oportuno apenas para presentear, gastar, encher de pisca-pisca árvores e telhados, reunir familiares e comer... beber... e comer de novo? Viveríamos em uma eterna infância se o víssemos apenas com olhares infantis que brilham ante a possibilidade de se empanturrarem de presentes. Alguns adultos são assim, brilham olhos, brilham ideias, brilha a carteira ao conjugar o verbo gastar sem nenhuma parcimónia.

Outros, ao verem o natal apenas como o “Senhor Comércio” que tenta obrigá-los a prestar adoração a todo custo, cobrem-se com   as vestes do ateísmo e recusam-se a ceder a toda e qualquer forma de aliciamento e então, se fecham em copas, fecham as mãos e se escondem entre muros, paredes, dentro de si mesmos.

Felizmente ainda há os  que veem no natal,  a possibilidade de suavizar linhas de expressão que foram sulcadas ao longo do ano nas relações com parentes, amigos, com o planeta. É impossível vivermos 365 dias no ano e não semearmos um desafeto aqui, ali e acolá, ou não sermos ríspidos e insensíveis, ou injustos em nossos julgamentos. Faz parte da natureza humana desagradar  quando na realidade   gostaríamos de agradar o tempo todo, entretanto,  no natal é possível ceder aos encantamentos que sua “magia” nos proporciona. É possível sermos agraciados com o dom mais sublime ao qual temos acesso. Podemos perdoar, transitar pelos sulcos que estas linhas de expressão delinearam e atenuá-las , quem sabe até eliminá-las (me pergunto se  isto seria  possível de fato, pois algumas marcas insistem em ficar como se a ferro e fogo tivessem sido cravadas) retendo apenas o que aprendemos, o que nos faz crescer, pois perceber erros e tentar corrigi-los é o que faz a verdadeira diferença.

Sábio é quem aproveita e percebe que a atmosfera natalina é muito mais que presentear. Natal é tempo oportuno para zerar as diferenças, refazer um caminho “viciado”, “recorrente” e seguir por outra bifurcação, abrir novas estradas, ou quem sabe pequenas trilhas norteadoras. O segredo é deixar-se encantar, ceder à magia.

O que dizer dos orgulhosos, empedernidos que não se abrem para  oferecer e receber perdão?  E quanto aos muitos que não cedem a um abraço amigo e sequer aceitam recomeçar de novo? Nada a fazer, senão esquecer o medo de ser feliz e apostar que, ainda que o outro não ceda ao seu abraço, à magia do natal, ao presente "dar-se", o que realmente  importa é que o primeiro passo foi dado, e cabe  ao espírito natalino, à  magia ao qual referi-me acima, selar o acordo.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Coração de mulher?

Por Vitalina de Assis.
(Postei no dia  19/08/2010 na coluna do  Dr. Alessandro Loyola)

Inicio meu texto citando um bordão que prolifera como ervas daninhas em lábios masculinos e que se não enobrecem as mulheres, (acredite, isto não nos lisonjeia) serve de desculpa esfarrapada para homens incapazes de compreender a alma feminina, seu mundo interior e suas curvas. “Mulher é um bicho complicado”!

Quantos bichos machos em um dia sem sol e cores não verbalizou em alto e bom tom sua inaptidão, (ignorância) de forma a lançar sobre a fêmea a total responsabilidade de não ser compreendida ou aceita? Atire a primeira pedra quem não nunca fez isto. Homens são mestres nesta escola, embora existam alguns protótipos que fugiram da linha de produção em série e são dádivas no universo feminino. Alguns certamente transcenderam no trato e conhecem, compreendem e aceitam o “coração de mulher”. Sabem que o “complicado” está fora e nunca dentro da mulher ou atrelado à ela.

Coração de mulher não se obriga a ter ritmo e compassos, seu tempo não se agrupa em valores iguais e não se fixam dentro de divisões de pautas musicais, não se pode reter sua melodia que é livre para tocar, e sonhar sem territórios demarcados.

Coração de mulher é sensível e único no sentir. Sabe ser generoso em situações altamente duvidosas, sabe doar e se dar como se isto fosse parte de sua pele e, realmente o é.

Coração de mulher sabe perdoar, aceitar riscos e perdoar… incontáveis vezes. Conhece o segredo da alquimia, é capaz de transformar em ouro, metais sem valor. Não se formam em Universidades “especialistas de coração” capacitados para tratar ou compreender o coração da mulher, porque o mesmo, não se localiza no meio do peito, sob o osso esterno, ligeiramente deslocado para a esquerda, onde podemos facilmente localizar o coração humano.

Coração de mulher possui outro endereço, localiza-se por todo o corpo, está entre a epiderme, a derme e o hipoderme subcutâneo, no entanto é capaz de estar além ou ocultar-se em mais de três camadas.

Coração de mulher não é possível pegar entre as mãos, e nem sequer tocá-lo com os dedos. Difícil é tratar um coração assim , mas pode-se compreendê-lo perfeitamente. Somos seres únicos, reconheço.
Mas não somos, sob hipótese alguma, “Ô bicho complicado!"

Seja “competente” amigo macho e mude sua linguagem, quem sabe assim, você possa desmistificar este mito.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Quero, logo faço!

Por Vitalina de Assis.
Postei no dia 02/11/2010 na coluna de Sandra Maia
(Colunistas yahoo)


"Nunca deveria dar a si mesmo a oportunidade de se entregar porque, quando o faz, isso se torna uma tendência, e nunca mais para de acontecer. Em vez disso, você precisa ficar forte".(GILBERT, 2008, p. 145, grifo nosso).


Li esta frase no livro Comer, rezar, amar - de Elizabeth Gilbert e foi como um sinal luminoso piscando incessantemente diante dos meus olhos, um bom motivo para refletir e como papel de toda boa reflexão, abrir espaços que nos permitam questionar, rever algumas atitudes e mudar alguns conceitos, afinal estamos em constante processo evolutivo e mudar é uma dádiva de Deus ao homem.

"Em vez disso, você precisa treinar ficar forte". TREINAR FICAR FORTE. Isto soou-me como a revelação de um segredo há muito compartilhado, mas totalmente esquecido em um canto qualquer de nossa existência, como algo que um dia foi precioso, bem guardado e atrofiou-se por desuso. Só temos a consciência de que precisamos fortalecer alguma área de nossa vida quando somos capazes de identificar nossas fraquezas. Permita-me considerar como sinônimo de "tendência" na frase citada o termo "fraqueza", ou seja, um comportamento recorrente, aquele que não gostaríamos de repetir, mas que constantemente estamos fazendo.

Encontramos na Bíblia um versículo muito propício e gostaria de dialogar com ele: o apóstolo Paulo disse com muita propriedade em sua epístola aos Romanos no cap. 7:19 - "Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço." Quero destacar o verbo preferir, querer, e a ordem em que foram colocados.

"Prefiro" transita no reino da vontade e o vejo como uma vontade mais branda, tipo aquela sensação "acho que não quero tanto assim"! Está no terreno das escolhas e convenhamos, muitas vezes diante das tais, ficamos como a criança que aprende brincando o exercício da desobediência: "minha mãe mandou eu escolher este aqui, eu fui teimosa e escolhi este daqui". Coisas da infância e do reino lúdico da imaturidade infantil, embora pareça exatamente o contrário, o pequeno ou pequena ensaiando seu exercício de autonomia. Já na fase adulta... cidadania. Entretanto, quando utilizo ou penso no verbo querer, estou exercendo meu direito pleno e intransferível de autonomia, não apenas uma escolha dada as circunstâncias, mas uma atitude que demonstra o poder que eu exerço em uma situação específica.

E quanto ao que disse o apóstolo?

Ele sabe o que não quer e é exatamente o que ele não quer, que é feito. Consegue perceber aqui o que não foi dito, mas grita nas entrelinhas?"Preferir" é o "fraco", o que se dissolve no compromisso que não assumo, o "acho que não quero tanto assim!" E o que não quero é o forte que me domina, é o "mal que não quero, esse faço", então se trocarmos a ordem dos produtos podemos obter um novo resultado. "O bem que prefiro", o que seria politicamente correto, o aceitável, o que esperam de mim, este não faço e sabe por quê? Porque é o que vem de fora, o desejo. Ao desejo nos curvamos, então se ao invés de preferir fazer o bem, eu "desejar" fazê-lo, é certo que o farei, mas como saltar do preferir para o quero?

Volto à citação inicial que destaquei do livro: "EM VEZ DISSO, VOCÊ PRECISA TREINAR FICAR FORTE". Permita que esta expressão te envolva, passeie por sua pele, penetre nos seus poros, infiltre na sua corrente sanguínea, possua seus pensamentos no reino da vontade. Treinar ficar forte, dizer não a fraqueza e para a tendência de sempre repetir o que jurou de pés juntos não fazer novamente. Precisamos identificar esta tendência e treinar o oposto, ficar forte no movimento contrário.

O que não te agrada em seu comportamento? Pode considerar esta atitude uma tendência que vem repetindo-se dia após dia, em intervalos semanais ou mensais? "Em vez disso, você precisa treinar ficar forte". Então faça o bem que você QUER, e o mal que não PREFERE, esse não faça.