quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Ausente e tão presente.

Por Vitalina de Assis.






Ela conseguira visualizar e com um pouco mais de silêncio poderia até ouvir as gaivotas. Lembrou-se de um casal de aves que vira no alto de uma palmeira e de como sua imaginação correra solta e em segundos estava com ele na praia debaixo da mesma. O suor que escorria como gotas de cristais pelo rosto daquele que amava profundamente, deliciosamente provava para não vê-las perderem-se na areia. As garças arrulhando-se ao cobrirem suas fêmeas e somando a tudo isto, o doce mar soprando sua música mágica e afrodisíaca! Cenário perfeito para um encontro tão esperado.

O homem de pé naquela sacada do hotel sentia a brisa que o mar insistentemente soprava em sua face. Fechando os olhos tornava-se nítido um hálito aquecido, um beijo desenhava-se, e por todo o seu corpo percorria um arrepio que imprimia em cada poro o desejo de possuí-lo.

Não era a brisa, não era o vento...
Era um sopro...
Uma presença...
Ela tinha que estar ali...

Aquela presença se move. Aqueles beijos agora na boca que geme e quer mais parece querer brincar de beijar e tocar outras bocas. Na orelha deliciosos gemidos, lambidas cálidas, mordidas imprecisas. Que som era aquele que gritava desejo, que sussurrava tesão, que gemia paixão?

Silêncio.

Percorre a nuca, se enrosca no  pescoço, se perde atrás da orelha, mapeia , redesenha, contorna, recontorna, desfaz e refaz. Refeito o que estava feito, segue seu caminho... Para no peito.

O beijo...
Uma boca.
Agora um corpo.
Agora seios.

Peito e seios comprimindo-se, fundindo-se em um abraço real, irreal, forte, torpe, animal.
Abraço esperado, desejado, tão sonhado!
Abraço quente, que sente, não mente amor, calor,  não causa dor.
Abraço cede a força, cede pressão, afasta-se.
Aquele corpo gira o quarto, move a cama, gira o mundo, para o tempo...

Se lança na rede, balança a rede, ainda tem sede.
Aquele homem, imóvel, ouve a rede...
Que balança em calma

Que encanta e chama
Que sussurra e canta
Abre os olhos e se lança.

Aquele corpo que balança a rede, ainda tem sede. Recebe... ajeita...deleita... beija.

Um coração bate à porta.

Aquele homem agora possuído e com marcas felinas pelo corpo, se entrega ao gozo, se entrega à paixão. Não há mais horas, dias, meses. Entorpecido estava e permaneceria imóvel, se uma atração muito forte não o impelisse até aquela porta. Como que dominado por um súbito interesse, ergueu a cabeça e olhou atentamente naquela direção. 

Que estranha força era aquela que desatava-o do abraço,
que fazia-o mover-se,que tirava-o do sonho,
do irreal feito real?
Que força era aquela delicadeza que batia na porta?

Tão suave e intempestiva?
Tão graciosa e descompassada?
Tão surda e tão sonora? Tinha que ser ela...
Anônima e conhecida.
Ausente e tão presente!
Calada e tão falante!
Distante um dia, envolvente por toda vida!

Aquele homem consciente da presença quente que aguardava lá fora e portas não poderiam reter e impedir seu mover, não se detém mais, torna-se urgente! Imperativo abrir, e deixar entrar. Suas mãos tremulas e ansiosas abrem caminho na escuridão do quarto que com as luzes apagadas, mas iluminado pela luz do luar, vicejava um prazer muito refinado que fazia emanar desejos incontidos que logo romperiam suas amarras e toda uma gama de reprimidos desejos saltariam enfim, livres em busca de satisfação! Seu coração não batia descompassadamente, nem estava prestes a colocá-lo em apuros e, entoando em parceria com o mar, marcava o tempo daquele canto entorpecedor. Ao tocar a maçaneta e ao girá-la passam-se segundos eternos e todas as juras, todas as palavras confidenciadas, todos os sentimentos e emoções vivenciados, toda a paixão retida e idealizada se transformam em fontes de luz e cor ante seus olhos. Mesmo assustado com tamanha magia, nada mais pode surpreendê-lo neste momento. O que estava por vir, atípico e sem igual neste planeta, teria sido a muito idealizado, talvez nas estrelas, talvez em outros mundos, talvez em outros sóis. Fosse o que fosse não se comportava como algo terreno. Luz e cores emergiam dele e nada, à sua volta lembrava um lugar comum. Seria assim um encontro de almas? Questiona-se afinal.

Abre a porta e la estava ela. Personificada toda uma expectativa, toda uma espera, toda uma essência. Seus olhos nada desafiadores e um tanto tímidos, comportavam ternura, ansiedade, medo e um querer perscrutar e penetrar nos recônditos daquele que se apresentava ante eles e que agora, ternamente, tocava-lhe os cabelos. Seu toque tinha um "q" de esotérico, de mágico, de sublime. Reclina-se e aproxima-se daqueles lábios quentes. Esperava-se um beijo, mas decididamente e por mais que ambos o quisessem, não era o oferecido, o tal! Não era o recebido o tão desejado encontro dos lábios para uma troca a muito idealizada, a muito desejada. O que via-se ali era apenas um roçar, um breve e leve roçar que mesmo em nível tão impreciso queimava como fogo. O que não se esqueceria por décadas, por vidas.
 O olhar que fala mais do que palavras, convida, atrai. Ela entra. Segue. Fixa. Cativa deste olhar é conduzida até aquela sacada que não lhe parece estranha, alheia. Tinha certeza de já ter estado ali horas antes. Tinha certeza de já ter feito aquele homem prisioneiro do seu encanto, do seu desejo. Perplexa questiona-se: Como posso ter tão nítida certeza se na verdade é este o momento real do encontro? Mas como  explicar o que não é apenas uma vaga impressão? Teria acontecido? Teria sonhado? Teria ido além do mover temporal? Ou o meu desejo irreverente fugira do meu controle e vivenciara antes de mim todo este encantamento? Sai dos seus devaneios.

Aquele homem, mãos agora, toca em sua blusa, nos seus botões. Abre um a um e vai expondo colo, seios, ventre. Ela não se dá conta da exposição a qual está sendo submetida, sente apenas o calor das mãos e como estão quentes! Sua blusa lançada ao chão, é apenas um detalhe que rouba-lhe a atenção por alguns segundos. Quando retorna, são suas as mãos que desnudam aquele homem. Uma camisa é atirada sobre a que já estava à espera. Pensar que tecidos poderiam estar entrelaçando-se faz com que desejem que pele, calor, corpos, peitos e seios se fundam. Peito e seios cravam seu calor e intensificam o desejo.

 Difícil saber onde estava ele... onde estava ela.








sábado, 4 de dezembro de 2010

E esse tal diário.

Por Vitalina de Assis.




Li em um artigo qualquer direcionado às mulheres, cujo autor afirmava que para mantermos nossa saúde mental e equilibrarmos as emoções, uma boa dica seria mantermos um diário e registrarmos ali fatos do dia, emoções da hora, sensações vividas que não deveriam se perder no "como foi que tudo aquilo aconteceu comigo"?

Registrar alegrias, dissabores, segredos inconfessáveis, "crimes" sexuais que se não matam energizam um bocado, de quebra levantam a auto estima e dão um trato na pele. Ainda em tempo, a receita de um bolo excepcional para uma tarde de sol e aquela "batida" "gengibrial" secreta e afrodisíaca e por aí vai uma lista interminável. Avança um pouco mais ao considerar tudo isto uma terapia funcional, grátis e sem a necessidade de marcar um horário a ser vencido pelo mesmo com a célebre frase:

- "Seu tempo acabou, marque outra hora com a secretária."

E o tal diário trancafiado a sete chaves e somente o "eu" a transitar por suas páginas, linhas e letras seria de fato funcional?

Analisei, repensei e cheguei a seguinte conclusão: Especificamente no meu caso odiaria me empenhar tanto, "orkutar" não em fotos exageradas, possudas, tolas e em cansativos depoimentos a "quem não possa interessar", mas em desenhos aleatórios desnudar minha alma, meus recônditos, minha intimidade e nenhum leitor a vista com olhar perscrutador a interagir entrelinhas. Fico doente só de pensar nesta ausência, mas folgo quando posso enviar por e-mails para alguém escolhido a dedo, meus segredos inconfessáveis.

Inconfessáveis? Que nada! O que fazemos às ocultas que não temos a necessidade moral de ao pé do ouvido relatar para alguém?

Pense comigo: Já fez algo e trancafiou a mil chaves e nunca sequer ousou pensar, para que nenhum espertinho a espreita lesse seus pensamentos? Acho improvável encontrarmos alguém neste planeta ou em outro que consiga tal façanha. Caso encontre algum desavisado rastreado por satélite e um tanto alienado, diga-lhe que está perdendo a nata das relações e inclusive, a oportunidade de fazer um delicioso biscoito, aquele que... desmancha na língua e nos enche de prazer. Língua... prazer... tudo a ver não é mesmo?

O que seria de nós meros mortais convivermos e não compartilharmos segredos?

Seja em diários inocentes cor de rosa carinha da Barbie, seja em diários não tão inocentes e por vezes assustador, mentiroso e totalmente ultrajante como " O Caderno rosa de Lori Lamby", de Hilda Hist, ou em e-mails remetidos para a pasta de rascunho. Ai me poupe, é o cúmulo da solidão, mas se não tiver outro recurso e daí?

Talvez você prefira enviar para aquele bom e velho amigo que, além de aguentar nossas lágrimas, lamentos e desabafos sem fim, ainda se sujeita a ler e interagir com as nossas "bem traçadas linhas".

ATENÇÃO! Esteja preparado para o cansaço do amigo(a) virtual, (afinal paciência tem limites e seu amigo(a) veio do barro igualzinho a você, então não espere dele nada além de uma solidariedade "terrena") e para sua caixa de mensagem quando avisar:

- Olá Maria das Couves!

Caixa de Entrada 0.

Algumas mais simpáticas (a sua cara e personalizadas) lhe gritarão gentilmente:

Amore, você tem zero mensagens, sniff!!!!

Por favor não cante: "Meu mundo caiu e me fez ficar assim". Acredite, ele está inteirinho!

Respire fundo e sob hipótese alguma exponha seu "lado negro" da indignação, mantenha-o bem afastado do seu mundo virtual, pois a Net tem o feio hábito de devolver tudo corrigido, atualizado e deturpado. Help! Melhor ficar na sua, não é mesmo.

Registre! Desabafe! E se ainda assim achar que não valeu a pena, que tudo isto é falácia por falácia, então sente-se no escuro, feche os olhos, respire fundo e conte até mil, pode ser que resolva.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O que postei no yahoo-colunistas.

Postei em Dr. Alessandro Loiola . 17.06.10 - (As leis da persuasão)
Colunistas yahoo.
Dr. Alessandro discorria sobre as leis da persuação, ou seja,  alguns princípios que se seguidos ou aplicados, tornaria possível obter um resultado efetivo, ou melhor dizendo no seu contexto, o paciente em questão cumpriria à risca as prescrições médicas.
As tais leis enumeradas por ele são: Lógica, paixão e ética.

Abaixo o que eu penso sobre isto.
Vamos deixar de lado a lógica que muitas vezes não empresta lógica alguma ao nosso viver, ou se empresta, muitas vezes a ignoramos em nome de.... digo depois, prometo.
A ética com certeza daria panos para as mangas, horas para discussões, inúmeras opiniões, algumas simplórias e outras bem prolixas, mas sintetizando tudo em uma só palavra, temos

RESPEITO.Que a ele se atrelem os interesses próprios, os interesses de outrem, os interesses da maioria, minoria, enfim, que cada um puxe a brasa para a sua sardinha, que em tese é assim mesmo: um discurso, uma retórica e salve-se quem puder.
Por último, mas não necessariamente nesta ordem, apenas por capricho da minha escrita, a prodigiosa Paixão. Por ela, (retomo o início do meu texto) ignoramos muitas vezes a lógica e o sentido das coisas.

Lógica e sentido.
Se fossem uma dupla sertaneja, com certeza teriam alguns acordes desarmônicos, mas quem não os tem em um show ou outro? Então o que faz a diferença? O que faz uma brilhar mais do que a outra? O que afina nossas vidas harmoniosamente quando os acordes destoantes insistem em agredir tímpanos e sensibilidade?

O que nos faz acordar com esperanças renovadas e em tudo enxergar cores e luz?

O que nos motiva a mudar, a sonhar e até seguir um tratamento à risca?

Pobre de todos nós se na nossa árdua lida,
não fossemos agraciados pelo toque da Paixão.Um pequeno toque
e nossa vida ganha novo rumo,
nossas convicções arcaicas e ultrapassadas,
maleáveis ficam, se deixam moldar.

Um pequeno toque
e rejuvenescemos a olhos vistos.
Um pequeno toque,
e o amor e o respeito em desuso,
ou atrofiados no esquecimento, ganham movimento e leveza,
criam arte, nos dão novas cores.

Um pequeno toque
e as leis da persuasão, se resumem em uma básica, e a partir de... tudo pode ser possível.

Apaixone-se!
Por você,
pela vida,
pelo outro.
Se acha isto impossível de acontecer, se pensa que sua idade não permite tal desfrute, ou que tudo isto é balela, relaxe e permita que a Paixão te convença do contrário.

Minha vitamina diária.

"Nada de esplêndido jamais foi realizado, exceto por aqueles que ousaram acreditar que algo dentro deles era superior às circunstâncias." Bruce Barton

Ousei acreditar! Acreditando sonhei e percebi que este sonho poderia transpor o inconsciente e tornar-se uma realidade palpável.

Circunstâncias adversas tantas foram, no entanto, nenhuma delas sequer imaginou-se superior. A ousadia estava encerrada em mim e o esplêndido a alguns passos de acontecer.

Quem ousa e segue acreditando, toca no impossível!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Hola Amigos!

Quero compartilhar um parágrafo do livro O Vendedor de Sonhos e a Revolução dos Anônimos, de Augusto Cury, cuja leitura recomendo.


"...- Sempre lhes disse que os fracos agridem, mas os fortes são tolerantes. Os fracos excluem, mas os fortes são pacientes. Agora lhes peço que não sejam tolerantes com seus fantasmas. Lutem com todas as forças contra tudo o que lhes pertuba a mente. Não há dois dominadores.

Ou vocês dominam suas preocupações ou elas os dominarão. Ou domesticam seus sentimentos de culpa ou eles os tornarão seus servos. Gritem, tenham acesso de raiva contra o humor triste, os pensamentos fixos, a alienação, a compulsão. Não há gigantes. Repartam suas batalhas com seus amigos. E se não as vencerem, procurem um especialista. A existência é preciosa demais para se confinar a um cárcere".
(p.180-181)